Victoria Rossetti estreia no remake de “Pantanal”, no horário nobre na Globo, onde vive o papel da influenciadora Nayara, namorada de Jove (Jesuíta Barbosa). A atriz começou sua carreira aos 16 anos, em uma publicidade para a empresa de telefonia TIM. Depois, participou da série “Psi”, da HBO, interpretando uma jovem que se apaixonava pela religião muçulmana. A proposta de aparecer em “Pantanal” veio em um momento em que a paulistana buscava novas oportunidades em sua carreira após a pandemia:
“Quando recebi a chance de participar da novela, já tinha feito vários testes para séries, novelas e videobooks. Antes disso, fiz alguns workshops idealizados pelos produtores. Todo esse processo foi divertido e sensível. Na pandemia, fiquei muito quietinha e isso me fez pensar quem eu era e que tipo de atriz queria ser. Foram muitos sentimentos antes dessa estreia, e uma certa angústia de estar fazendo jus a personagem e sua subjetividade.”
Victoria integra um núcleo de grandes talentos da dramaturgia, e conta como é trabalhar ao lado de artistas como Karine Teles, Camila Morgado, Selma Egrei e Jesuíta Barbosa:
“Contracenar com esses atores que eu sempre admirei está sendo muito inspirador. São motores para mim. Vê-los atuando era fantástico e deslumbrante, todos me puxaram em cena, estenderam a mão como amigos e me olharam com muita sensibilidade e generosidade. Me trataram como uma verdadeira parceira de trabalho, isso foi um presente. Não sei como agradecer. Eles viveram a novela comigo e, portanto, de mãos dadas pulamos nessa aventura”.
Nayara ‘disputa’ amor de Jove
Ao longo da trama, Nayara se envolve com Jove (Jesuíta Barbosa), que é disputado por outras mulheres. A atriz fala sobre o papel de sua personagem e a relação com seu parceiro:
“Nayara escolheu a narrativa de que ela e Jove são apaixonados e, provavelmente, um amor impossível para dar sentido à vida dela. Ela é estimulada pela sua imagem nas redes sociais, isso acaba a desnorteando, e a faz buscar validação em todos os lugares, menos nela própria.”
Na novela, Nayara é uma jovem cheia de vida, mas que também é muito afetada pelos ideais de beleza nas redes, tornando-a muito insegura. Em muitos momentos, se revela ser superficial e incongruente. Ao longo da narrativa, se aproxima da Madeleine (Karine Teles), que tem traços duvidosos e é mãe de Jove:
“Não acredito que Nayara é exatamente uma vilã. Ela não faz as coisas para ganho pessoal e muito menos age com malícia. Ela é um dos retratos possíveis de uma mulher na sociedade cercada pela artificialidade e virtualidade, nessa ânsia por ser alguém a ser reconhecido, validado, mas que enfrenta diversos obstáculos.”
Ao contrário de sua personagem, muito ligada a redes sociais, Victoria revela não ter vocação para entrar no mercado de influencer:
“Costumo olhar para a internet com desconfiança, vejo como as opiniões e ideologias disseminadas nos textos e imagens podem atingir nosso inconsciente de maneira muito sorrateira e violenta, enfraquecendo nosso ego. Isso acontece com Nayara de certa forma, assim como me afeta também. Acho que ela se inspira muito na Jade Picon, Anitta e Gloria Groove.”
Grandes paixões de Victoria: circo e lira
Com 8 anos, Victoria começou a estudar o circo. Achava cativante a expressividade que poderia ter no corpo com danças e piadas, além de acrobacias, contorcionismo e movimentos com tecido. Agora, com 22, acredita que esse mundo a ajudou na construção da carreira na atuação:
“Aprendi teatro no circo, como me aprimorar tecnicamente e me expressar com o público. Me ajudou também a fazer magia com o corpo e com as expressões. No teatro, isso se torna mais difícil porque a empatia entra em jogo, e isso mexe com nossa identidade e ego.”
Além disso, Victoria estudou lira por cerca de 10 anos, tendo muita habilidade com o instrumento e chegou a dar aulas. Atualmente, decidiu encerrá-las para focar em sua atividade na televisão. A jovem revela suas inspirações no mundo artístico:
“Me inspiro na Laura Dern, Julianne Moore e Marilyn Monroe, são atrizes potentes que se emprestam muito para suas personagens. No Instagram, gosto muito das personas criadas por Valentina Bandeira e Luciana Paes. Também me espelho muito na Karine Telles, ela cria empatia pelos seus papéis que vem dela, assim como a Marina Abramovic.”
Conectada com a filosofia, Victoria deseja explorar novos lugares em sua atuação:
“Estava em um processo bem interior, que refletia bastante na questão da pressão das redes sociais, ligada muito a Nayara. Pensei em como poderia trazer essa fragilidade a ela. Quero receber cada vez mais personagens complexos, para aprimorar minhas habilidades empáticas e minha segurança, confiando na minha expressividade. Cada papel é uma oportunidade de me conhecer e não ser intolerante com o próximo.”