Em 2018 o Engenho dos Erasmos deu início a série “Garapa Filosófica”, que reuniu palestras sobre temas ligados à colonização e ao território. A partir desta experiência e considerando o momento político que o Brasil vivenciava, com o avanço de grupos autoritários e da discriminação, Beatriz Pacheco Jordão, então diretora do órgão (gestão 2018 – 2022), e professora do Instituto de Biociências (IB) da USP, submeteu ao PROAC, em 2019, o projeto para a exposição com o objetivo de contar a história com mais representatividade para os povos e culturas que formaram aquele território e não sob a ótica do colonizador. A proposta foi premiada na categoria Modernização de Museus, Arquivos e Acervos e desenvolvida ao longo de três anos.
De acordo com a coordenadora do projeto, que também divide a curadoria com o educador André Müller de Mello, do Engenho dos Erasmos, “a exposição, além de propor o fortalecimento de narrativas baseadas na formação do território, contrapondo silenciamentos estruturais das resistências tupiniquim e tupinambá ao processo colonizador, também evidencia assinaturas arqueológicas de povos sambaquieiros anteriores à chegada do europeu”.
“A escolha representa uma guinada na forma de apresentar o Engenho ao público, deixando para trás a narrativa mais eurocentrada e trazendo à luz a importância da representatividade de diferentes sujeitos na formação do país. Essa nova visão mais completa e diversa é algo sem volta”, destaca Beatriz Jordão.