Quem já passou pela icônica Rua Abolição, pode não ter reparado direito, mas ali no número 244 fica o ECLA – Espaço Cultural Latino Americano. Assim que entramos, nos deparamos com uma estátua em gesso do Lênin, imãs de geladeira de personalidades como Marielle, Dandara, Doutor Sócrates, Frida e Mariguella, paredes com bandeiras de times de futebol e de países como Cuba e Bolívia, além, é claro, do icônico Saci, mascote do espaço. Pela decoração do espaço, já conseguimos entender um pouco da história do local.
Claudimar Gomes dos Santos toca o espaço há 11 anos e viu muita gente passar por ali. Figuras icônicas e históricas como Raphael Martinelli, Feliz Contreras, Hugo Blanco, Cesari Batistti e Geraldo Sardinha já frequentaram a casa. Mas, infelizmente, desde que a pandemia começou e consequentemente, o ECLA ficou fechado, as contas não estão mais fechando. “Nesses seis meses fechados, não tivemos renda alguma – até o aluguel está pendurado. Logo cortam a luz e a água. É de uma tristeza imensa ver esse lugar, que representa muito para diversas pessoas e principalmente para mim, que dedico minha vida a ele, encerrar as atividades por motivos econômicos”, conta Clau, como é carinhosamente chamado.
Com a notícia, seus frequentadores iniciaram uma campanha para evitar o encerramento do espaço e arrecadar dinheiro para o pagamento do aluguel e das demais despesas. Além de ir até lá em um número reduzido – até 10 pessoas por vez – e consumir bebidas e petiscos, o grupo de frequentadores e amigos do ECLA resolveu fazer uma vaquinha para arcar com os custos de manter o espaço aberto. Em uma época em que o distanciamento afetou a todos, encontrar este tipo de afeto entre as pessoas para realizar um feito coletivo, mostra a importância que o Espaço Cultural Latino Americano possui na vida de cada um que está colaborando. Por enquanto, o ECLA continua vivo – há esperança, e quanto mais pessoas se juntarem à causa, mais chances de o local sobreviver por muitos e muitos anos mais.

