(crédito da foto: Alexandre Aquino)
Nos últimos 30 anos, diferentes pesquisas relativas aos campos da educação, da antropologia, da sociologia, da psicologia e suas relações com raça (negra) e gênero (masculino), passaram a questionar modelos e normas essencializadas e a apresentar novos modelos e possibilidades de ser e estar no mundo. Com isso, homens negros estão apresentando e construindo seus próprios caminhos e possibilidades de estar inserido ou não em determinados grupos sociais.
Reconhecidas como “masculinidades negras”, elas estão contribuindo para dar forma a este escopo de pesquisa, que, atualmente, tem apresentado uma dinâmica própria e ampliado as condições de afirmação desses debates no âmbito das ciências sociais. Entretanto, esses debates não limitam ou tornam evidentes as fronteiras corpóreas, geográficas ou econômicas sobre corpos negros, mas, mais que isso, entre o próprio campo de pesquisa das masculinidades negras e outras áreas disciplinares, ou mesmo outros campos do conhecimento das ciências humanas o que provoca por si só debates interdisciplinares.
O resultado, tendo em vista os pesquisadores e pesquisadoras que fizeram parte do processo, oferece uma bela visão da constituição desse campo e do seu desenvolvimento na pesquisa e permite, ainda, esboçar o perfil, os desafios, e as perspectivas de modo bastante definido e consistente. Os seguintes pesquisadores e pesquisadoras de diferentes regiões brasileiras responderam às cinco questões: Alan Augusto Moraes Ribeiro, Deivson Mendes Faustino, Elisete Santana da Cruz, Henrique Restier, Jonas Alves da Silva Junior, Júlio Cerqueira, Marcio Caetano, Megg Rayara, Osmundo Pinho, Paulo Melgaço da Silva Junior, Rolf Malungo, Suelly Messeder, Tarcisio Motta.
Um dos principais efeitos desse novo paradigma é o de reverter a imagem, muito difundida em passado recente das ciências sociais e da sociedade em geral, que via estudos relativos aos corpos de homens negros como um tipo de conhecimento anticientífico, sem nenhuma significação ou representatividade na sociedade e para as ciências sociais contemporâneas. Os autores esperam que com este livro possam colaborar para que os debates ganhem a expansão e penetração nacional, além de contribuir para que encontre desafios no sentido de incentivar a formação de novos debates, pesquisas e tensionamentos críticos, bem como sedimentar os estudos e referenciais já existentes.
Paulo Melgaço aponta ainda que as questões esmiuçadas no livro são cruciais e que abrem novas frentes de reflexão e de pesquisa, bem como desafios teórico-metodológicos para os debates das masculinidades negras, cujas diferenças, relações de continuidade com outras especialidades de gênero acadêmicas (as teorias decoloniais, teoria queer e outras), representatividades simbólicas e corpóreas passam a ser, então, mais sistematicamente exploradas e problematizadas. “Mas são questões importantes, acima de tudo, pelo fato de suscitarem articulações e tensões entre as diversas formas de conceber e apreender o próprio campo das masculinidades negras, tal qual vem sendo praticado e ganhando forma nas últimas décadas”, diz.
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