Filme Comunhão marca a estreia de Pétala Lopes na direção
fevereiro 07, 2026
Documentário acompanha mulheres lésbicas acima dos 50 anos numa viagem de fim de semana
Frame do filme Comunhão (fotografia de Mariana Campos)
São Paulo, 5 de fevereiro de 2026 – O documentário Comunhão, dirigido por Pétala Lopes, acaba de ter a sua première brasileira, na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Com 23 minutos de duração, o filme é a estreia de Pétala na direção e acompanha um grupo de mulheres lésbicas acima dos 50 anos durante uma viagem de fim de semana a um sítio.
O documentário registra a construção de redes de cuidado e pertencimento entre mulheres lésbicas, ocupando espaços que a sociedade historicamente nega a elas. Da convivência na viagem, emergem experiências e memórias que raramente encontram lugar na esfera pública. O projeto foi realizado com o fomento da Lei Paulo Gustavo, via Ministério da Cultura e Governo Federal.
A trajetória de Pétala Lopes como fotógrafa e educadora marca a estética do filme – o arquivo e a memória funcionam como ferramentas de construção de sentido. A ideia para o documentário foi gestada desde a adolescência da diretora, quando frequentava bares lésbicos na região do Bixiga, em São Paulo.
O trabalho de Pétala Lopes se constrói a partir da relação com as pessoas. Mais do que registrar acontecimentos, há uma busca por materializar sentimentos difíceis de nomear, como a percepção da passagem do tempo, a experiência da alegria ou a sustentação do afeto no cotidiano. A estética do filme é atravessada por essa prática relacional, na qual o encontro, a escuta e a convivência orientam as escolhas formais e narrativas.
Para a curadoria da Mostra de Tiradentes, Comunhão é um "filme de retiro", em que o deslocamento para o campo oferta o encontro que resulta na obra. "A câmera opera um registro de escuta, menos voltado a uma entrevista padronizada e mais se colocando à disposição das personagens, numa espécie de rito capaz de transmitir ao mesmo tempo seriedade e humor num registro simpático, mas nunca leviano", destaca o texto curatorial do festival.
Em Comunhão, imagem e entrevista surgem menos como dispositivos formais e mais como desdobramentos de encontros e conexões afetivas que já existem. O centro do filme está na experiência da viagem, no tempo vivido juntas, no compartilhamento do cotidiano, na escuta e na presença. “Me interessa a singularidade de cada uma das personagens. O filme é uma pequena parte da vida dessas mulheres, um acontecimento, uma quebra de rotina. Não se trata de representá-las como se fossem alguém além de si mesmas”, diz Pétala.
Numa das cenas, as personagens Rosalina da Silva e Ângela Fontes compartilham as primeiras impressões sobre a amizade delas, que já dura 40 anos. Ângela é parceira de Willman Defacio há três decadas e o casal participa da série “Acende a Luz", original da Apple TV. “Me encontrar com elas também é comunhão. A comunhão já existe, as lésbicas já a exercem”, diz Pétala.
O espírito de comunhão também influenciou na formação da equipe do filme, integralmente composta por profissionais lésbicas, bissexuais, transgênero, transexuais e travestis. O documentário é coescrito e produzido por Ana Squilanti, com quem Pétala realizou o curta 2 de Copas, pela Pitanga Produtora, que também é a produtora de Comunhão.
O projeto conta com nomes como Juliana Munhoz (As Primeiras e Sem Coração) na montagem, Mariana Campos (Travessias Desiguais) na fotografia e Elis Menezes e Raissa Spada (Obirin Trio) na trilha sonora original. A distribuição está a cargo de Nataly Pinho, da Pique Filmes.
Roteiro: Pétala Lopes, Ana Squilanti e Juliana Munhoz
Argumento: Pétala Lopes e Ana Squilanti
Produção executiva: Ana Squilanti, Pitanga Produtora
Distribuição: Nataly Pinho, Pique Filmes
Direção de produção: Luara Oliveira
Coordenação de pós-produção: Kelly Souza
Produção de elenco: Mari Machado
Consultoria executiva: Júlia Alves
Palestra de cultura e respeito: Sofia Franco, Azeitona Consultoria
Direção de fotografia: Mariana Campos
Assistência de fotografia: Thamara Lage
Som direto: Juliana Santana
Montagem: Juliana Munhoz
Assistência de montagem: Gabrielle Ferreira
Colorização e finalização: Klaus Rossatti
Designer: Du Nieto
Trilha original: Elis Menezes e Raissa Spada, Telheiras Áudio
Edição de Som: Acácia Lima
Mixagem: Thaís Rizzo
Acessibilidade, roteiro de audiodescrição: Larissa Hobi
Consultoria de audiodescrição: Cida Leite
Narração de audiodescrição: Daniel Machline
Mixagem de audiodescrição: Miguel Segundo
Legendagem: LC Translations
Libras: Mão Preta Libras
Relações públicas: Camilla Ginesi
Elenco: Adriana Rodrigues de Freitas, Angela Fontes, Selma Almeida (Cecel), Cenia Borges, Elaine Amarante, Fabiana Ribeiro, Giselia de Moura, Juciara Ramalho, Laura de Jesus, Márcia Regina Borges, Mari Machado, Marta Rodrigues, Rosalina da Silva, Solange Schiavon, Valdirene Amorim e Willman Defacio
Escritora, autora da duologia "A Princesa e o Viking" disponível na Amazon. Advogada e designer de moda. Desde 2008 é blogueira. A longa trajetória já teve diversas fases, iniciando como Fritando Ovo e desde 2018 rebatizado como Leoa Ruiva, agora o blog atinge maturidade profissional, com conteúdo inovador e diferenciado. Bem vindos!
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