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São Paulo, 5 de fevereiro de 2026 – O documentário Comunhão, dirigido por Pétala Lopes, acaba de ter a sua première brasileira, na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Com 23 minutos de duração, o filme é a estreia de Pétala na direção e acompanha um grupo de mulheres lésbicas acima dos 50 anos durante uma viagem de fim de semana a um sítio.
O documentário registra a construção de redes de cuidado e pertencimento entre mulheres lésbicas, ocupando espaços que a sociedade historicamente nega a elas. Da convivência na viagem, emergem experiências e memórias que raramente encontram lugar na esfera pública. O projeto foi realizado com o fomento da Lei Paulo Gustavo, via Ministério da Cultura e Governo Federal.
A trajetória de Pétala Lopes como fotógrafa e educadora marca a estética do filme – o arquivo e a memória funcionam como ferramentas de construção de sentido. A ideia para o documentário foi gestada desde a adolescência da diretora, quando frequentava bares lésbicos na região do Bixiga, em São Paulo.
O trabalho de Pétala Lopes se constrói a partir da relação com as pessoas. Mais do que registrar acontecimentos, há uma busca por materializar sentimentos difíceis de nomear, como a percepção da passagem do tempo, a experiência da alegria ou a sustentação do afeto no cotidiano. A estética do filme é atravessada por essa prática relacional, na qual o encontro, a escuta e a convivência orientam as escolhas formais e narrativas.
Para a curadoria da Mostra de Tiradentes, Comunhão é um “filme de retiro”, em que o deslocamento para o campo oferta o encontro que resulta na obra. “A câmera opera um registro de escuta, menos voltado a uma entrevista padronizada e mais se colocando à disposição das personagens, numa espécie de rito capaz de transmitir ao mesmo tempo seriedade e humor num registro simpático, mas nunca leviano”, destaca o texto curatorial do festival.
Em Comunhão, imagem e entrevista surgem menos como dispositivos formais e mais como desdobramentos de encontros e conexões afetivas que já existem. O centro do filme está na experiência da viagem, no tempo vivido juntas, no compartilhamento do cotidiano, na escuta e na presença. “Me interessa a singularidade de cada uma das personagens. O filme é uma pequena parte da vida dessas mulheres, um acontecimento, uma quebra de rotina. Não se trata de representá-las como se fossem alguém além de si mesmas”, diz Pétala.
Numa das cenas, as personagens Rosalina da Silva e Ângela Fontes compartilham as primeiras impressões sobre a amizade delas, que já dura 40 anos. Ângela é parceira de Willman Defacio há três decadas e o casal participa da série “Acende a Luz”, original da Apple TV. “Me encontrar com elas também é comunhão. A comunhão já existe, as lésbicas já a exercem”, diz Pétala.
O espírito de comunhão também influenciou na formação da equipe do filme, integralmente composta por profissionais lésbicas, bissexuais, transgênero, transexuais e travestis. O documentário é coescrito e produzido por Ana Squilanti, com quem Pétala realizou o curta 2 de Copas, pela Pitanga Produtora, que também é a produtora de Comunhão.
O projeto conta com nomes como Juliana Munhoz (As Primeiras e Sem Coração) na montagem, Mariana Campos (Travessias Desiguais) na fotografia e Elis Menezes e Raissa Spada (Obirin Trio) na trilha sonora original. A distribuição está a cargo de Nataly Pinho, da Pique Filmes.
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