Martin Claret: "Pequenos Redemoinhos", obra inédita da autora italiana Maria Messina, aborda as condições das mulheres na sua terra natal, a Sicília, entre o fim do século XIX e o início do século XX

outubro 12, 2022

Livro aborda a emigração do ponto de vista feminino, de quem fica para trás, e não do ponto de vista masculino, de quem vai embora

 

Tradução de Adriana Marcolini, doutora em literatura italiana pela USP e autora do guia 50 Livrarias de Buenos Aires, finalista do Prêmio Jabuti de 2012

 


 

Maria Messina (1887-1944) foi uma grande autora italiana ainda pouco conhecida. Na coletânea de novelas Pequenos Redemoinhos, Martin Claret, expõe, com uma escrita lancinante, a condição das mulheres na sua terra natal, a Sicília, entre o fim do século XIX e o início do século XX: opressão, submissão e obediência. Impedidas de estudar e trabalhar, proibidas de fazerem suas próprias escolhas, às mulheres só cabia obedecer. Salta aos olhos o desalento da província pobre e o compadecimento por personagens mergulhados nos “pequenos redemoinhos” das humilhações. Sensível à realidade da época, Maria Messina não deixou de lado a emigração massiva de cidadãos da Sicília – com a particularidade de retratar o fenômeno sob a ótica feminina. Com suas dolorosas separações, a dissolução dos vínculos familiares e a solidão, a emigração é narrada em Pequenos Redemoinhos sob o ponto de vista das noivas, esposas, avós e mães que são deixadas para trás, enquanto os homens partem com a promessa de buscá-las ou de voltar. Mas não as buscam e tampouco voltam.

 

A autora permaneceu obscurecida por cinco décadas, até voltar a ser publicada graças à sensibilidade do escritor Leonardo Sciascia – siciliano como ela – que na década de 1980 propôs à editora Sellerio, de Palermo, a republicação de seus livros.

 

Curiosidades

 

.  O livro Pequenos Redemoinhos é inédito no Brasil, assim como a obra de Maria Messina (1887-1944) - inédita em nosso país. 

.  No Brasil, a autora só é conhecida pelos estudiosos da literatura italiana.

Várias novelas de Pequenos Redemoinhos tratam da emigração massiva de sicilianos para as Américas, entre o final do século XIX e o início do século XX. A diferença é que Maria Messina aborda a emigração do ponto de vista feminino, de quem fica para trás, e não do ponto de vista masculino, de quem vai embora. 

Outras novelas revelam a opressão sofrida pela mulher na Sicília do começo do século XX - sempre obrigada a obedecer e impedida de estudar e de trabalhar. Maria Messina não aceitava esta condição. Outras trazem à tona a pobreza reinante na Sicília daquela época. 

.  A obra de Maria Messina é permeada pela experiência pessoal, forjada por vivências mantidas em segredo e pelas restrições econômicas familiares, que deviam ser “dignamente escondidas”.

O siciliano Leonardo Sciascia definiu Maria Messina como uma “Mansfield siciliana”, em alusão à escritora neozelandesa Katherine Mansfield (1888-1923), a autora de Bliss (Felicidade), que fascinou Clarice Lispector.

 

 

Trechos de Pequenos Redemoinhos

 

Mas a América, dizia gna’ Maria, é uma traça que rói e uma doença que se pega, e quando chega a hora de alguém comprar a mala, não há nada que o detenha. (La Merica, p. 122)

 

Todos iam embora no bairro de Amarelli; não havia uma casa que não pranteasse. Parecia uma guerra, e tal como numa guerra, as esposas ficavam sem marido e as mães sem filhos. (La Merica, p. 121)

 

Lucia tinha feito um alinhavo com a agulha e olhava para fora, completamente tomada pelo longo chilreio das andorinhas que passavam em bandos sombrios e velozes no céu azul turquesa. [...] Oprimida pelo silêncio e pelo tédio daquela tarde sonolenta, desejava ao menos caminhar pela casa, mas não havia para onde ir. No grande dormitório do doente, onde as janelas estavam sempre fechadas e a mãe trabalhava sem parar, não queria ir [...]. Sobrava a cozinha [...]. Mas se Turiddo, Lisa e Nena estavam conversando, fazendo bagunça, assim que ela aparecia calavam-se de repente [...]. Nunca teria conseguido se livrar daquele luto, pois entre tantos parentes velhos, próximos e distantes, lhe tocava renová-lo para uma nova morte quando ainda não tinha terminado de usá-lo para uma recente. (Os hóspedes, pp. 55-56)

 

Sobre a tradutora

 

Adriana Marcolini é doutora em literatura italiana pela USP. É tradutora profissional e docente de língua e literatura italiana. Autora do guia 50 Livrarias de Buenos Aires (Cotia: Ateliê Editorial, 2011), finalista do Prêmio Jabuti de 2012. Foi selecionada em edital (2012) do Programa de Ação Cultural (Proac), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, para traduzir Sull’Oceano, de Edmondo De Amicis. A tradução resultou no livro Em Alto-mar, publicado em 2017 (Nova Alexandria/Istituto Italiano di Cultura de São Paulo). Bacharel em Jornalismo pela PUC-SP, tem sólida experiência como jornalista profissional. Entre 2009 e 2011 foi correspondente da Argentina para a imprensa brasileira. Trabalhou no Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), em Sarajevo, Bósnia-Herzegovina (2000-2001), no âmbito do Programa de Voluntários das Nações Unidas.

 

Ficha técnica:

 

Formato: 14x21

Acabamento: capa dura

Tradução: Adriana Marcolini

Páginas: 158

ISBN: 978-6559101702

Preço: R$ 59,90

 

 

Editora Martin Claret

 

A Editora Martin Claret foi fundada em São Paulo, no início da década de 1970, pelo empresário, editor e jornalista gaúcho Martin Claret. A editora está empenhada em contribuir para a difusão da educação e da cultura no país, produzindo livros com qualidade editorial diferenciada, investindo na parceria com profissionais de qualidade do meio editorial, educacional e gráfico.

 

Redes Sociais:

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